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  • Foto do escritorAraken Busto

3 Dicas para identificar um bom técnico de instrumentos de sopro.

Atualizado: 19 de jun. de 2022

Todos os serviços de reparação de instrumentos musicais de sopro oferecidos na internet, seja Instagram, Facebook e outros possuem a mesma qualidade?


Obviamente todos sabemos que a resposta é não, mas como saber distinguir um bom serviço técnico dado por um profissional e outro de qualidade duvidosa?


Esta resposta sim é mais complicada de responder e não há uma única resposta para essa pergunta, porém há certos "indìcios" que podem ajudar a desvendar este mistério.


Mas antes de aprender a identificar estes sinais, é muito importante conhecer um pouco mais sobre a história dos reparadores brasileiros nos últimos anos.


Dois fatos importantes marcaram esta mudança na minha opinião e um deles é a própria tecnologia que avança em uma velocidade incrível ano a ano. Me lembro quando entrei na primeira loja de instrumentos musicais na década de 90, nós utilizávamos máquinas copiadoras e passávamos muitos dias colando etiquetas em malas diretas para enviar às bandas e orquestras com nossas promoções e o FAX era uma grande novidade, nosso caixa era registrado à mão.


Hoje em dia um celular tem mais tecnologia que a nave espacial que levou o homem ao espaço pela primeira vez.


Portanto, os recursos tecnológicos ajudam a deixar bonito aquilo que muitas vezes na realidade é bem feio, por exemplo, vídeos super produzidos, resultados alterados ou ocultos parcialmente para dar uma impressão de perfeição são constantemente postados na internet e muitas das vezes o consumidor é induzido a acreditar que está deixando seus instrumentos nas mãos de um bom profissional, quando na verdade acaba de entregar a um aprendiz que buscará aprender algo novo com o intrumento do próprio cliente.


Lembro-me, certa vez, em um grupo de whatsApp, um suposto técnico perguntando aos demais como se desmontava uma trompa, pois havia acabado de receber de um cliente e não tinha nem ideia de como abrir os rotores. Casos como este são mais constantes do que parece.


O segundo fator foi a inauguração do ATELIER YAMAHA BRASIL no ano de 2009, que revolucionou a forma com que as pessoas viam um espaço técnico. Montado pela Yamaha Musical do Brasil, o espaço foi equipado com ferramentas de última geração escolhidas uma a uma pelo luthier alemão Stefan Siemons. Estas ferramentas foram importadas dos E.U.A, Japão e Alemanha, e o espaço contava com tudo de mais avançado no que se refere à reparação de instrumentos musicais.


Eu havia acabado de entrar na empresa e me deparei com um maravilhoso espaço e com uma relação de ferramentas que estavam a caminho do Brasil e foi sem dúvida um grande susto.


Até então somente víamos estas ferramentas por internet em catálogos e saber que iríamos tê-las disponíveis no país era realmente um sonho realizado.


Montamos então, o atelier com uma organização incrível, com cada ferramenta em seu lugar, tudo muito organizado e em formato de laboratório. Este espaço mudou a visão de muitos técnicos que o visitaram, inclusive, tenho inúmeros exemplos de mudanças antes e depois de vários técnicos brasileiros. Este fato, foi de suma importância para determinar em termos de equipamentos e organização, quem estava melhor preparado.


Pude viajar por todo o país durante vários anos e acompanhar as transformações de conceitos técnicos e de ateliers, porém, quando transferimos o atelier Yamaha para a Vila Olimpia em São Paulo, onde realizamos o 1º fórum Nacional de Técnicos de Instrumentos de Sopro, este sim, foi um grande ponto de reflexão para os técnicos brasileiros. O espaço era ainda mais bonito, mais amplo e mais preparado para o trabalho dos profissionais e criado sob o conceito de um verdadeiro laboratório técnico e extensão da fábrica no Japão.



Com estes dois fatos importantes, a forma de se apresentar como técnico no Brasil nunca mais foi a mesma.

Agora, retornando ao assunto original, podemos compreender e aprender a ler os sinais que podem nos indicar a diferença entre a qualidade de serviço oferecida no mercado.


1 - "Diga-me para quem reparas e eu direi que nível técnico tens!".

Esta é uma frase sempre repetida pelo técnico resutaurador SÁVIO NOVAES de Niterói, sendo um técnico de muitos anos de experiência e com uma carteira de clientes profissionais de alto nível. Sávio atende músicos do Brasil, América Latina e Europa. Seu conceito é baseado em um trabalho de marketing dos mais antigos que existem, o "Boca a Boca" e se trata de fazer um bom trabalho para que o seu cliente possa indicar outro, assim ele consegue manter seus fregueses e conquistar outros dentro do mundo de profissionais da música, portanto, saber para quem um técnico repara é um bom sinal quanto à qualidade do trabalho realizado.


2- A oficina técnica, espaço de trabalho e organização.

Vejo constantemente vídeos de espaços técnicos onde a bancada de trabalho tem mais sujeira do que o chão de muitos ateliers, a desorganização reina e a mesa de trabalho parece que não foi limpa ou organizada nos últimos 100 anos.

Tecidos velhos, sujos, rasgados para apoiar o instrumento, ferramentas enferrujadas e mal cuidadas são o cartão de visita de algumas supostas oficinas. Não é porque temos um negócio simples e começando que tem que ser sujo e mal cuidado. Se um técnico não cuida do seu próprio espaço, ele cuidará do instrumento do cliente?


Certamente a resposta para esta pergunta é NÃO.


Muitas vezes o instrumento entra em um espaço como este para que seja apenas colado um pequeno feltro e sai completamente riscado, danificado pela falta de cuidado e organização do local. Isto é um indício de que a mão de obra ainda que tenha muitos anos de trabalho, não é qualificada, aliás, este é um erro frequente que se comete em conectar tempo de serviço com qualidade de serviço pois, são duas coisas muito diferennte e em muitos casos não caminham juntas.


3- "O pior cego é aquele que não quer ver!".

Em muitas fotos e vídeos veiculados na internet, vejo constantemente casos absurdos de descuidos e erros cometidos por amadores e não reconhecidos pelos clientes.


Existem inúmeros vídeos e fotos onde o técnico desmonta o instrumento e mistura todas as chaves fazendo um amontoado de metal para demonstrar que o instrumento estava em mal estado de conservação. Pessoalmente, em mais de 25 anos de trabalho e conhecendo pessoalmente mais da metade dos técnicos brasileiros, além de técnicos de outros países, eu soube de apenas um caso em que o músico levou o instrumento DESMONTADO e com as chaves dentro de uma sacola para o técnico, em todos os demais casos, o músico entrega um INSTRUMENTO e não um amontoado de chaves.


Este tipo de procedimento faz com que as molas e o atrito entre as peças de metal causem danos no acabamento do instrumento e que depois de limpo estes danos aparecem. A desculpa destes técnicos, é dizer que, com a sujeira os tais defeitos de acabamento não podiam ser notados, mas obviamente, é um equívoco.


Na desmontagem de forma profissional, todas as chaves e parafusos são tratadas individualmente e organizados de forma que não sofram nenhum dano. Peça a peça e parte a parte, o instrumento é reparado e entregue ao seu dono melhor do que entrou no atelier.


Se o técnico não cuida do instrumento e trata ele como um lixo quando entra na oficina, quem garante que os defeitos indicados por ele que foram reparados não foram causados por ele mesmo?


Por isto, em minha opinião, o cliente deve observar o perfil de internet deste técnico em busca destes erros grosseiros de aprendizes.


Estou convencido que com estas 3 dicas, será imensamente mais fácil livrar-se de técnicos amadores e encontrar um bom profissional. Se você tem seu técnico de confiança, tenha cuidado ao provar serviços supostamente mais baratos e de qualidade duvidosa porque o BARATO pode sair bem CARO!


Cito para finalizar somente um caso de um clarinetista que entrou em contato comigo porque havia enviado seu clarinete francês profissional para um suposto técnico que tinha muitas postagens de fotos e que aparentemente trabalhava bem. Este técnico colocou todas as peças de metal do clarinete no ácido e corroeu todas as chaves e colunas, não sobrou uma peça em condições para poder montar o instrumento e a desculpa do técnico é que o instrumento era antigo, mas claramente ele cometeu um erro e destruiu o instrumento por completo pois, os fabricantes não fornecem pilares e chaves separados.


O resultado foi um longo e doloroso processo para poder tentar recuperar o prejuízo causado.


Espero que este texto ajude aos músicos a escolherem um bom serviço técnico, como também, aos técnicos para não cometerem estes erros tão básicos.




Araken Busto

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